Slime: exame que detecta bórax na urina é criado após caso de intoxicação

A menina Valentina de 13 anos, continua em tratamento de desintoxicação, depois de ter sido contaminada e precisar de internação hospitalar por causa do contato com o bórax — ou borato de sódio, um dos ingredientes usados na fabricação do slime caseiro. 

E o caso de Valentina não foi o único, além dela, outras crianças também tiveram intoxicação ao mexer com o produto.

“Ela costumava fazer slime caseiro todos os dias. Então, como a exposição foi muito frequente e por um longo tempo, o nivel de bórax detectado no organismo dela estava muito alto. Os médicos explicaram que ele se acumula nos ossos, músculos e a eliminação é muito lenta. Ela ficou mais de vinte dias sem conseguir comer, emagraceu muito, ficou fraca e abatida. Depois que saiu do hospital, ainda teve uma recaída. Vomitava o dia inteiro e chegaram a cogitar a possibilidade de fazer hemodiálise. Demorou mais de uma semana para começar a reagir. Mas ainda hoje ela precisa tomar alguns cuidados, principalmente com a alimentação”, conta a mãe de Valentina, a fisioterapeuta Cris Pagano, 42.

Na época ainda tiveram que lidar com a dificuldade em dar o diagnostico.

 “Os médicos diziam que era um quadro viral. Eu fiquei desesperada. Foram muitos exames e tudo dava negativo até que o toxicologista viu o bórax em cima da mesa e se deu conta”, conta Cris. “Todos os dias no hospital, eu fazia slimes porque sempre que recebia uma visita, eu ganhava materiais. Enquanto eu mexia com o bórax, ele penetrava na minha pele indo para a minha corrente sanguínea”, diz a menina. 

Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde Valentina foi tratada, resolveu focar na criação de um exame capaz de detectar a quantidade de bórax na urina, já que não havia exames para isso. “Não existia porque não era algo corriqueiro. O slime é algo relativamente novo e os próprios médicos não tinham conhecimento sobre essa possibilidade de intoxicação”, conta.

Ele explica que agora o exame é feito de forma simples com amostra de urina.

“Tem que ser pela urina e não pelo sangue — onde o nível de intoxicação crônica por bórax, por exemplo, não é claramente detectável”, explica. Valentina foi a primeira a fazer o exame, que já está disponível desde maio. O preço é acessível, cerca de R$ 70, e o resultado fica pronto em até três dias. “O caso da Valentina serviu de alerta. Se uma criança costuma ter contato frequente com slime e apresenta dor de barriga, náuseas, vômitos, diarréia, lesões na pele e os sintomas são persistentes, é preciso cogitar essa possibilidade”, diz Anthony. “Vejo muitas pessoas ignorando os riscos. Mas a intoxicação por borato de sódio pode levar a quadros de anemia, dores de cabeça, dores musculares e até alterações neurológicas”, completa.

ALERTA PARA OS PAIS

De acordo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o bórax é classificado como uma substância extremamente tóxica. Nos produtos comercializados no país, o órgão determina que nenhuma quantidade de bórax seja manipulada por crianças. Segundo o alergista e imunologista Nelson Guilherme Bastos Cordeiro, do Departamento Científico de Dermatite Atópica e de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o ideal é não fazer slime caseiro — a menos que se evite substâncias reconhecidamente tóxicas, como bicarbonato de sódio, cola e, em especial, o bórax. “Os pais devem dar preferência para os kits de produtos industrializados que são vendidos em quantidades e concentrações já testadas. E, caso tenha alguma reação, lavar a região com água ou soro fisiológico gelados e procurar atendimento médico o mais rapidamente possível”, orienta.

Cris disse em entrevista à Crescer, que depois de que o caso de sua família foi parar nas redes sociais, ela recebeu muitas mensagens de outras famílias relatando problemas parecidos.

“Me contaram sobre crianças que estavam em situações mais grave. Uma criança já enfrentava dificuldade para andar, outra estava há três meses entrando e saindo do hospital”, diz. “Mas também recebo mensagens de mães dizendo que não acreditam, que minha filha é mentirosa, que era uma menina doente… Foi a parte mais difícil, o psicológico dela. Na época, ela não queria voltar para a escola. Tivemos todo um trabalho com a diretoria da escola, mas deu tudo certo. Espero que essas pessoas se conscientizem quanto aos riscos para que as crianças não precisem passar pelo o que a Valentina passou. Por aqui, bórax nunca mais”, finalizou.

Fonte: Crescer


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Written by Marcel Mattos

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